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Artigo - Batismo nas Águas

Batismo em água:
meio para a salvação ou simbologia?

 

Carlos Augusto Nóbrega de Souza¹

 

Resumo

Este artigo tem como finalidade expor o assunto de batismo em água, descrevendo o seu significado, importância, e o ato para diversas religiões; como também a sua prática na Igreja Católica e nas igrejas Protestantes; a questão de batizar crianças; o modo do batismo e a invocação do nome. O ato do batismo é para salvação? Por que os que não crêem se utilizam do exemplo do ladrão na cruz, e de que, no leito de morte, todos os que dizem aceitar Jesus, são salvos sem o ato batismal? O batismo é um ato simbólico ou uma ordenança de Cristo? Para esse efeito, discorremos sobre este assunto, pontos de suma relevância para uma vida cristã mais sadia.

Palavras-chave: Batismo; Salvação; Simbologia.

Abstract

This article aims to expose the subject of water baptism, describing its meaning, importance, and the act for various religions, as well as its practice in the Catholic Church and the Protestant churches, the question of baptizing infants, and the mode of baptism invocation of the name. The act of baptism is for salvation? For those who do not believe that using the example of the thief on the cross, and that on his deathbed, all who accept Jesus say, the act are saved without baptism? Baptism is a symbolic act or an ordinance of Christ? To this end, we talk about this subject, points of paramount importance to a healthy Christian life more.

Keywords: Baptism; Salvation; Simbology

 

Introdução

O batismo em água é a aplicação de água, mediante imersão, derramamento ou aspersão com certos propósitos predeterminados, serve como um rito de iniciação, como ato de purificação cerimonial, como sinal de identificação com a comunidade, com suposto elemento dos requisitos que levam ao perdão dos pecados, e, portanto da salvação, ou como um símbolo de união com Cristo, no ______________


intuito de obedecer ao seu evangelho e aos seus mandamentos. Vejamos este versículo que se encontra no livro de Atos, capítulo 2, versículo 38, que diz: ”E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão de pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.”

O objetivo é adquirir um maior aprendizado do assunto, pois muitos são batizados e não têm entendimento do que se fez, só tomou um banho de água sem ter nenhum discernimento daquele ato. Além disto, deve-se observar a invocação do nome na hora do batismo em água e o que passará a fazer após o batismo.

Foi utilizado como metodologia livros que tratam sobre o assunto e a Bíblia, pois a prática do batismo em água é cristã.

Os ritos de iniciação e purificação são antigos e comuns praticamente a todas as religiões. Eram ligados ao nascimento, à morte e á guerra. Nas religiões antigas a água era tida como uma espécie de vida. O próprio Jesus Cristo no Evangelho de João no capítulo sete, verso 38, escrito na Bíblia fala do seu Espírito que seria dado aos que cressem nele, como rios de água viva que fluirão do interior de quem o seguiria. Existem relatos que povos iam até o Egito no tempo dos Faraós, levar água do rio Nilo aos seus países de origem para fazer seus rituais. No Antigo Testamento a água servia para purificação do povo e dos sacerdotes e levitas de Israel. No batismo cristão se usa o elemento água para indicar a morte e a nova vida de uma pessoa que creu na mensagem do Evangelho de Jesus Cristo. Não que essa água possua algum poder para essa transformação que viria após esse ato, mas por ser uma ordem de Cristo é um meio para a salvação, pela qual Deus veio como homem, conforme está escrito no Evangelho de João capítulo 1, verso 1, da Bíblia.

O uso do batismo em água teve seu começo na era cristã com o profeta João Batista durante seu ministério, vejamos esse versículo que estar escrito no livro de Mateus, capítulo 3, versículo 5 e 6 que diz: “A ele vinha gente de Jerusalém, de toda Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.” (NVI)

João Batista imergia os convertidos, aqueles que se arrependiam de suas obras más, como sinal de arrependimento e identificação com aquele que viria, Jesus Cristo. Mesmo antes do batismo de João Batista os judeus batizavam os gentios nas águas para que fossem purificados da idolatria, assumindo a obrigação de obedecer à lei.

Na Igreja Católica o batismo é um de seus sacramentos, meio visível da operação do Espírito de Deus. O modo batismal é que está errado, pois não há imersão e sim aspersão de água no batizado, também se batiza crianças recém nascidas, indo de encontro com seu livro de fé que é a bíblia sagrada, Onde se é ensinado que quem se batiza são os que confessam seus pecados, sendo assim a criança recém-nascida não pode confessá-los. Isso só passa a acontecer na idade da consciência. Existem, porém algumas Igrejas Protestantes que batizam crianças, não sabendo interpretar as sagradas escrituras. Na sua grande maioria as Igrejas Protestantes ou Evangélicas só batizam àquelas pessoas que possam crer na mensagem do Evangelho.

A Igreja católica, as igrejas Ortodoxas, muitos grupos Luteranos e Anglicanos, várias Igrejas e grupos Evangélicos, como a Igreja de Cristo, os Pseudocristãos, como as Testemunhas de Jeovã e os Mórmons, crêem que o batismo em água é para a salvação para os que obedecem a ordenança, ou seja livrar a alma da condenação. O batismo para esses grupos de religiosos é um meio direto da regeneração, ou seja, o novo nascimento se completa por ocasião do batismo em água.

O batismo em água tem um vinculo com a circuncisão na antiga aliança do povo judeu. A circuncisão era para os judeus um sinal do concerto que Deus fez com Abraão e seus descendentes, onde todo macho seria circuncidado aos oito dias de nascido e que o concerto teria que ser guardado pelo povo. O apóstolo Paulo nas cartas aos colossenses no capítulo dois, verso onze e doze, cita:

Nele vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. Isso aconteceu quando vocês foram sepultados com ele no batismo, e com ele foram ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.” (NVI)

A circuncisão tinha que ser feita para que a pessoa passasse a fazer parte da aliança com Deus e ter suas bênçãos mediante a guarda (prática) da mesma, da mesma forma quando somos batizados em água fazemos parte da nova aliança e também merecedores das bênçãos de Deus mediante a obediência. Deus planejou matar um dos filhos de Moisés por não ter sido circuncidado, como estar escrito no livro de Êxodo no capítulo quatro, versos vinte e quatro, vinte e cinco e vinte e seis:

Numa hospedaria ao longo do caminho, o Senhor foi ao encontro de Moisés e procurou matá-lo. Mas Zípora pegou uma pedra afiada, cortou o prepúcio de seu filho e tocou os pés de Moisés. E disse: ‘você é para mim um marido de sangue!’ Ela disse ‘marido de sangue’, referindo-se à circuncisão. Nessa ocasião o Senhor o deixou.” (NVI)

As religiões antigas atribuíam qualidades vivas às coisas antigas como a água, a saliva e o sangue. Eles acreditavam que divindades se faziam presentes e atuavam beneficamente quando seus adoradores realizavam ritos religiosos com esses elementos, água por exemplo. No batismo em água de Jesus, vemos a manifestação de Deus conforme escrito em Mateus capítulo três, verso dezessete: “Então uma voz dos céus disse: ‘Este é o meu filho amado, de quem me agrado. ’” (NVI)

Podemos ver na Bíblia escrita apoio ao sacramentalismo no que se refere ao batismo em água. Podemos citar o Evangelho de Marcos capítulo 16, versos quinze e dezesseis: “vão pelo mundo todo e preguem o Evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” (NVI). Vemos também em Mateus capítulo vinte e oito, verso dezenove: “portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo...” (NVI)

A simples leitura desses versículos nos dá entendimento para sabermos que o ato batismal é para salvação. Outro versículo que confirma essa verdade está na primeira Epístola de Pedro capítulo três, verso vinte e um, citado abaixo: “... e isso é representado pelo batismo que agora também salva vocês – não a remoção da sujeira do corpo, mas o compromisso de uma boa consciência diante de Deus – por meio da ressurreição de Jesus Cristo,...” (NVI)

O batismo em água não pode ser visto como um ato simbólico, pois foi uma ordenança do Senhor Jesus e de seus apóstolos, como, vimos anteriormente. Há um operar do Espírito de Deus quando estamos em obediência à sua palavra. Alguns batistas acreditam que o batismo e a ceia do senhor têm importância espiritual, acreditando que Deus se faz presente a essas cerimônias. Eles chegam a afirmar: “Senhor, estou pensando a teu respeito e obedecendo ao teu mandamento. Faz a tua obra em minha alma”.

O batismo em água torna-se uma espécie de invocação a Deus, através do seu nome. Se pudéssemos voltar à Igreja do fim do primeiro século e do começo do segundo século, encontraríamos os cristãos cumprindo as ordenanças de Deus do batismo e a ceia do Senhor. O batismo indica: a purificação, a identificação com o novo movimento cristão, sinal de arrependimento e de que a pessoa levaria a sério sua fé, como membro. Para muitos é a aproximação de Deus para observar o intuito e a obediência do batizando, separando-o, para nele operar, de modo especial.

O termo grego “bapto” quer dizer mergulhar, imergir. Somente a imersão total pode simbolizar devidamente a purificação de uma pessoa de sua antiga vida, por identificar uma lavagem. Na Igreja primitiva cristã o modo original de batismo era a imersão. O apóstolo de Paulo nas cartas aos Romanos no capítulo seis, verso quatro, nos mostra o que acontece ao descermos à água, pele fé: “Portanto fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.” (NVI)

Geralmente quando alguém não crê que o batismo em água é para a salvação, coloca situações para defender seus argumentos sem sustentação bíblica. Duas situações podemos citar:

  1. A passagem do ladrão da cruz;

  2. Aquele que estar para morrer e diz aceitar Jesus;

Com relação ao ladrão da cruz, ele era judeu (tinha o selo da justiça); mostrou verdadeiro arrependimento; reconheceu Jesus como o Senhor e cria na ressurreição. Levando a crer que estivera com Jesus antes ou ouviu sobre ele; do seu lado estava Aquele que era e é a vida eterna. Vemos essa passagem na Bíblia no evangelho de Lucas capítulo 23, versos trinta e nove ao quarenta e três. Com relação à situação de uma pessoa que diz aceitar Jesus no leito de morte, temos a citação de Paulo nas cartas aos romanos, capítulo dez, verso nove: “Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”

Primeiro, para confessarmos algo, temos que ter conhecimento daquilo ao qual confessamos reconhecer como verdadeiro. Crer vem do grego “pisteou” e nos dá três elementos:

  1. Convicção – de que Cristo é o Filho de Deus. O Único Salvador.

  2. Comunhão – auto-submissão, dedicação e obediência a Jesus.

  3. Confiança – de que ele é o único caminho para salvação.

Quem não crê. A palavra “não crer” do grego “apeitheo”, significa desobedecer ou não se sujeitará. A palavra crer na Bíblia não é acreditar, mas tem uma profundidade maior. O evangelho de João no capítulo três, verso dezoito, cita: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus”.

Na Bíblia vemos dois casos em que Deus não aceitou pedidos de bençãos feitos por Esaú, que vendeu sua primogenitura por um prato de comida e quis se arrepender, mas seu pai Isaque negou-lhe. O outro é Moisés, por não ter atendido uma ordem de Deus, que o mandou tocar à rocha (que era Cristo), para sair água para o povo beber, irado com o povo bateu duas vezes. Isso fez com que Deus não permitisse que ele entrasse na terra prometida. Moisés rogou a Deus, que lhe negou. Mostrando-nos que não é de qualquer forma que nos chegamos a Deus, pois Ele é longânimo, mas até quando Deus espera por uma pessoa. Quantas vezes uma pessoa já ouviu falar de Jesus e da sua palavra e rejeitou? Assim como Deus não agüentou mais o pecado de Sodoma e Gomorra, vindo a terra e mandando dois anjos para as destruírem, estar esperando o momento certo para não mais manifestar sua graça a alguém para salvá-la.

Outra questão importante é a invocação do Nome no momento em que a pessoa está sendo batizada. Vemos na Bíblia duas invocações, a primeira está no Evangelho de Mateus vinte e oito, verso dezenove, onde cita: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,...”.

Para entendermos melhor esse versículo, devemos partir para o contexto da mensagem. Vejamos alguns argumentos para compreendermos o sentido e o que o Autor quis nos dizer:

  1. No verso anterior Jesus disse: “Foi me dada toda a autoridade nos céus e na terra.” Somente o nome Dele poderia ser invocado. A palavra invocar é chamar, quando chamamos o seu nome, sua atenção é despertada.

  2. Pai, Filho e Espírito Santo não são nomes e sim títulos ou as manifestações de Deus.

  3. A palavra está no singular “nome” e não nomes

A invocação mais correta está em todo o livro de Atos, onde as passagens sobre batismo mencionam o nome do senhor Jesus pelos Discípulos e Apóstolos. Quando vem escrita só a palavra Senhor, se sabe pelos originais que se referia a Jesus. O versículo mais conhecido está no livro de Atos dos Apóstolos capítulo dois, verso 38, com essa citação: “Pedro respondeu: Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito santo.”

Podemos colocar algumas informações sobre esse texto, entendendo o que o autor quis dizer:

  1. Pedro momentos antes tinha sido batizado com o Espírito santo, ele e mais cem pessoas, mais ou menos. Tinha acabado de pregar sobre Jesus Cristo, falando da sua morte, ministério e ressurreição. Que eles, os Judeus, que estavam ouvindo-o, mataram na cruz e que Deus o tinha feito Senhor e cristo.

  2. Com ele estava os discípulos, que ouvira de Jesus a ordem de Mateus 28.19. Se Pedro estivesse errado os mesmos o advertia sobre a invocação do nome

  3. Ao ouvirem a pregação os judeus ficaram aflitos em seus corações e perguntaram a Pedro o que fariam. A resposta se vê no versículo que citamos (Atos 2.38).

  4. O versículo de Mateus 28.19 com a invocação nela contida, não encontramos em nenhuma outra passagem na bíblia, enquanto a citação de Atos 2.38, tem mais oito no livro de Atos.

  5. Não podemos tirar um versículo da Bíblia, isolá-lo e criar uma doutrina, devemos lembrar que temos um Mestre que nos ensina, o Espírito de Jesus que está dentro de nós, os que crêem Nele.

 

 

 

 

 

 

Conclusão

A finalidade deste artigo é ampliar o conhecimento de uma prática ordenada por Deus, batismo em água, acreditando que será uma porta aberta para mais estudos e discussões, visando um aprofundamento maior do tema, tão importante, principalmente para os Cristãos.

A grande questão desse tema é se o ato é para a salvação ou não. O estudo, ou a pesquisa visou esclarecer, tendo os argumentos na Bíblia, pois nela vemos a prática e também o propósito para o mesmo. Também livro secular, onde vemos através da história, outras religiões usando a água como ritual de iniciação ou morte.

Por a Bíblia ser um livro espiritual, é necessário orar e buscar a sabedoria de Deus para compreendê-la, pois discerne espiritualmente.

 

Referências

OMARTIAN, Stormie. A bíblia da mulher que ora NVI. São Paulo: mundo cristão, 2009.

BORGES, Amauri José. Revelação.Curitiba: sergraf, 2003.

 

 

Autor

Nome: edmundo evangelista freire da nóbrega

Cargo: Evangelista

E-mail: edmundo.nobrega@gmail.com


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